Quem trabalha com faturamento hospitalar convive diariamente com termos técnicos, siglas e conceitos específicos do setor. Conhecer com precisão o significado de cada um é o que permite executar o trabalho com qualidade e entender as implicações de cada decisão no ciclo de receita.

Este glossário reúne os principais termos do faturamento hospitalar e da gestão de glosas, organizados em ordem alfabética.

A

Aceite de Glosa: Decisão do prestador de aceitar como correto o valor pago pelo convênio para determinado item ou guia, sem realizar recurso. O aceite pode ser estratégico quando o custo de contestação supera o valor em disputa, ou definitivo quando o prestador reconhece que a glosa é procedente.

Aceite Parcial: Situação em que a operadora paga parte do valor cobrado e glosa o restante. O prestador pode recursar a parcela glosada dentro do prazo contratual.

Aceite Total: Situação em que a operadora paga integralmente o valor cobrado pelo prestador, sem glosa.

Acreditação Hospitalar: Certificação concedida por instituições acreditadoras a hospitais após avaliação de qualidade de processos assistenciais e de gestão. No Brasil, a principal acreditadora é a ONA, que concede três níveis: Acreditado (nível 1), Acreditado Pleno (nível 2) e Acreditado com Excelência (nível 3). O nível de acreditação impacta diretamente o reajuste contratual com operadoras via Fator de Qualidade da ANS.

ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar): Órgão federal que regula e fiscaliza o setor de saúde suplementar no Brasil. Define padrões obrigatórios de comunicação entre operadoras e prestadores (TISS), regula prazos de pagamento e recurso, publica o Rol de Procedimentos e monitora a qualidade assistencial das operadoras credenciadas.

Antecipação de Cobrança: Estratégia que busca previsibilidade de receita mediante confirmação prévia de pagamento antes do vencimento. Envolve negociação com a operadora para adiantamento de valores faturados.

Auditoria Concorrente: Modalidade de auditoria realizada durante a internação do paciente, enquanto o atendimento ainda está em curso. Permite identificar e corrigir inconsistências antes do fechamento da conta, reduzindo glosas retrospectivas. É a auditoria com maior poder preventivo sobre perdas.

Auditoria Retrospectiva (ou de Contas): Modalidade de auditoria realizada após a alta do paciente e antes do envio da conta à operadora. Revisa a compatibilidade entre documentação clínica, procedimentos realizados e itens cobrados. É a última linha de defesa antes que inconsistências se tornem glosas.

Auditoria Retroativa: Análise de contas médicas de períodos anteriores, geralmente os últimos 36 meses, para identificar valores não cobrados corretamente ou glosas aceitas que poderiam ter sido contestadas. Uma das fontes de recuperação de receita mais subutilizadas nos hospitais.


B

Brasíndice: Publicação quinzenal especializada em medicamentos que define o Preço do Fabricante (PF) e o Preço Máximo ao Consumidor (PMC). O PF é o valor correto para faturamento hospitalar. O PMC é exclusivo para comércio varejista. Usar PMC no faturamento hospitalar é contrário à legislação vigente (Comunicado CMED 10/2010).


C

Capa de Lote: Documento de identificação dos lotes enviados às operadoras. As operadoras aceitam, em média, até 100 guias por lote. Os lotes devem ser identificados e ordenados conforme a sequência de envio.

CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos): Tabela de referência para procedimentos médicos e honorários, com primeira edição em 2003. É a principal tabela de referência para honorários médicos no mercado de saúde suplementar.

Comitê de Glosas: Grupo multidisciplinar de profissionais representando diferentes departamentos do hospital, com reuniões periódicas para identificar causas de glosas e definir ações preventivas. Inclui representantes das áreas onde as glosas se originam, não apenas do faturamento.

Conciliação de Créditos: Processo de cruzar o que foi faturado com o que foi efetivamente pago pela operadora, item a item. Identifica valores pagos corretamente, divergências, glosas e inadimplências. O Observatório ANAHP 2026 registrou prazo médio de recebimento de 77,35 dias em 2025, tornando a agilidade na conciliação um fator crítico para o fluxo de caixa.


D

Demonstrativo de Contas Médicas: Documento detalhado a nível de item enviado pela operadora, informando os valores pagos e glosados de cada item cobrado. É o documento que inicia o processo de conciliação no prestador.

Demonstrativo de Glosa: Documento separado, disponibilizado por alguns convênios, com detalhamento dos itens glosados, motivos e justificativas complementares.

Demonstrativo de Pagamento: Documento resumido que informa os valores pagos referentes a um ou mais protocolos de pagamento.

Demonstrativo de Pagamento de Recurso: Documento disponibilizado por algumas operadoras especificamente para os pagamentos resultantes de recursos de glosa.

Demonstrativo de Retorno: Conforme definição da ANS: modelo formal de representação e descrição documental do padrão TISS sobre o pagamento dos eventos assistenciais, enviado da operadora para o prestador.


E

Elegibilidade: Verificação da situação do beneficiário junto à operadora: se o plano está ativo, se o paciente está em período de carência e se o procedimento solicitado está coberto. A verificação na admissão é a primeira barreira preventiva contra glosas administrativas.

Enfermeiro Auditor: Profissional responsável por analisar contas hospitalares, verificar a conformidade do prontuário com os procedimentos cobrados e identificar inconsistências. Atua principalmente nas modalidades de auditoria concorrente e retrospectiva.

ERP (Enterprise Resource Planning): Sistema de gestão que centraliza e integra as operações diárias de um hospital. É onde o prontuário é processado, as guias são geradas e os dados são organizados para transmissão.


F

Fator de Qualidade: Mecanismo da ANS que aplica um multiplicador sobre o IPCA nos reajustes contratuais conforme o nível de acreditação do prestador: nível A recebe 105% do IPCA, nível B recebe 100% e sem acreditação recebe 85%.

Faturamento Represado: Situação em que contas geradas não foram enviadas às operadoras dentro do prazo, seja por pendências de documentação, falhas na transmissão ou acúmulo operacional.


G

Glosa: O não pagamento total ou parcial, por parte da operadora, de valores referentes a atendimentos, materiais, medicamentos ou taxas cobradas pelo prestador. O Observatório ANAHP 2026 registrou glosa inicial gerencial de 15,93% e glosa aceita contábil de 1,72% da receita bruta de convênios em 2025.

Glosa Aceita Contábil: Percentual da receita bruta de convênios definitivamente perdido para glosas após o processo de contestação.

Glosa Administrativa: Glosa originada por falhas em processos administrativos: ausência de autorização prévia, dados cadastrais incorretos, prazo de envio vencido ou procedimento não coberto pelo plano.

Glosa Inicial Gerencial: Total de valores glosados pelas operadoras antes do processo de recurso. Referência.

Glosa Linear: Glosa aplicada pela operadora como percentual sobre o valor total da fatura, sem justificativa técnica ou administrativa específica por item.

Glosa Mantida: Valor de glosa que permanece após o recurso do prestador, seja pela negativa da operadora ou pelo aceite do prestador.

Glosa Técnica: Glosa originada por incompatibilidade clínica ou técnica: código TUSS incorreto, procedimento cobrado sem argumentação técnica, material incompatível com o procedimento, ausência de laudo obrigatório.

Guia de Faturamento: Conforme definição da ANS: modelo formal de representação e descrição documental do padrão TISS sobre os eventos assistenciais realizados no beneficiário de plano privado, enviado do prestador para a operadora.


I

Inadimplência de Operadora: Não pagamento por parte da operadora dentro do prazo contratual. Diferente da glosa, a inadimplência é atraso ou omissão de pagamento de valor aceito. Exige processo de cobrança ativo separado.

Índice de Recebimento Gerencial: Percentual do faturamento total que efetivamente entra no caixa do hospital, descontadas glosas aceitas e inadimplência.

Indicadores Hospitalares: Dados quantitativos que medem o desempenho de processos e resultados hospitalares. No faturamento, os mais relevantes são taxa de glosa por motivo e operadora, prazo médio de recebimento, índice de recebimento gerencial e taxa de sucesso no recurso.


L

LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados): Lei 13.709/18, com sanções em vigor desde agosto de 2021. Classifica dados de saúde como dados pessoais sensíveis, com proteção reforçada. Impõe obrigações sobre armazenamento, acesso, compartilhamento e descarte de prontuários e documentos com dados de pacientes. Violações podem resultar em multa de até 2% do faturamento anual.


O

Observatório ANAHP: Publicação anual da Associação Nacional de Hospitais Privados com benchmarks financeiros e assistenciais do setor hospitalar privado brasileiro. Principal referência para comparação de indicadores como taxa de glosa, prazo de recebimento e inadimplência de operadoras.

ONA (Organização Nacional de Acreditação): Entidade privada sem fins lucrativos que atesta a qualidade de serviços médico-hospitalares no Brasil. Concede três níveis de acreditação com validade de 2 a 3 anos.

OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais): Categoria de materiais associada a altos custos com regras específicas de faturamento. O faturamento pode seguir dois modelos: sem pacote (com autorização por item e repasse de custos) ou com pacote (hospital gerencia diretamente).

Operadora de Saúde: Pessoa jurídica registrada na ANS que administra planos de assistência à saúde, realizando o intermédio financeiro entre beneficiários e prestadores.


P

Padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar): Padrão obrigatório estabelecido pela ANS para uniformizar a troca de dados eletrônicos entre operadoras e prestadores. Em 2025, a versão 4.01 tornou-se obrigatória. Arquivos em versão anterior são rejeitados automaticamente.

Prazo Médio de Recebimento: Tempo médio entre a prestação do serviço e o efetivo recebimento do pagamento.

Prestador de Saúde: Hospital, clínica, laboratório ou qualquer pessoa jurídica que presta serviços de saúde credenciado pelas operadoras e regulamentado pela ANS.

Prontuário Médico: Conforme Resolução CFM 1.638/2002: documento único com informações, sinais e imagens sobre a saúde do paciente e a assistência prestada, de caráter legal, sigiloso e técnico-científico. Deve ser mantido por no mínimo 20 anos a partir do último registro (Lei 13.787/2018).


R

Recurso de Glosa: Pedido formal do prestador à operadora para reconsiderar uma cobrança glosada. Deve conter justificativa específica, correção de valores quando aplicável e evidências documentais. Deve ser enviado dentro do prazo contratual.

Recusa Total: Situação em que a operadora glosa integralmente o valor cobrado em uma guia ou item.

Remessa: Conjunto de guias de atendimento agrupadas para envio à operadora em um ciclo de faturamento.

Repasse Médico: Pagamento de valor fixo ou percentual ao profissional de saúde sobre um serviço prestado, conforme definido nas tabelas de precificação e honorários.

Rol de Procedimentos ANS: Conjunto de procedimentos, exames, medicamentos e tratamentos cujos custos devem ser obrigatoriamente cobertos pelos planos de saúde. Atualizado periodicamente pela ANS.


S

SADT (Serviço de Apoio à Diagnose e Terapia): Categoria de prestação de serviços que envolve recursos físicos para diagnóstico e terapia, como exames de imagem, laboratório e fisioterapia.

Saldo de Glosa: Resultado líquido das glosas após o processo de recurso: valor das glosas iniciais menos o valor recuperado, representando a perda financeira final do ciclo.

Simpro: Publicação bimestral que publica tabela com códigos e valores de referência de materiais, medicamentos e procedimentos hospitalares. Amplamente utilizada como referencial de precificação nos contratos com operadoras.


T

Telemedicina: Prestação de serviços médicos à distância por meios tecnológicos. Regulamentada definitivamente no Brasil pela Lei 14.510/2022. Teleconsultas são faturáveis para operadoras com codificação específica no padrão TISS.

Transmissão: Envio de lotes de faturamento às operadoras no padrão TISS para cobrança dos serviços prestados.

TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar): Padronização de nomenclaturas e códigos de todos os itens faturáveis no sistema de saúde suplementar, definida pela ANS. Precisa estar na versão vigente para evitar glosa técnica por código incorreto.


X

XML de Envio: Arquivo no padrão TISS gerado pelo sistema de faturamento para envio à operadora, contendo as guias de cobrança do período. Deve ser gerado na versão vigente do TISS e validado antes do envio para evitar rejeições técnicas.

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