Indicadores hospitalares: como usá-los a seu favor?

Gestão hospitalar é bastante complexa e quem lida indicadores hospitalares conhece muito bem esse cenário., enfrentar uma dura maratona para manter o saldo verde das contas. Por isso, é preciso que haja indicadores hospitalares padronizados ao guiar as decisões estratégicas do seu hospital.

Mas padronizados não quer dizer fixos. Os indicadores devem ter objetivos exatos e, portanto, podem variar de acordo com sua realidade.

Ou seja, primeiro você deve definir o que você precisa avaliar e, só depois, escolher indicadores adequados para isso. É o velho ditado: quantidade não é qualidade.

Se algum indicador não está sendo muito útil em sua gestão, não vale a pena gastar tempo e energia nele.

Cenário é desafiador

Na administração existem diversos desafios sobretudo na administração financeira de uma instituição de saúde, é preciso lidar com os diversos públicos e ainda atender aos requisitos básicos, como:

  • Prazos;
  • Regras e Normativas;
  • Parceiros e Fornecedores;
  • Colaboradores;
  • Gestão de Resultados.

Com isso não sobra muito tempo para investir em inovações, e entenda: não estamos falando somente de aderir a novas tecnologias, a inovação aqui pode vir de modelos de gestão, adotar métodos de trabalho, entre outros fatores.

O fato é que para seu departamento se destacar é importante garantir uma boa gestão das obrigações que listamos acima.

E como é necessário foco para um ponta pé inicial, acreditamos que iniciar com a análise de uma visão macro do departamento te norteará por onde começar a definir as melhores estratégias.

O mercado da saúde

Só para contextualizar: entre os anos de 2010 e 2017, 1.797 hospitais encerraram suas atividades, ao passo que 1.367 foram inaugurados. Saldo negativo.

Dentre as causas desse déficit estão problemas de gestãoO levantamento foi feito pela Federação Brasileira de Hospitais.

Aliás, esse é um problema que aflige a todos que atuam nesse setor.

O sistema de saúde, do ponto de vista mercadológico, é bastante intricado, pois envolve equipamentos e insumos de alto custo, exige profissionais altamente capacitados, além de navegar num ambiente incerto: algumas doenças e enfermidades não tem sazonalidade definida, o que torna os hospitais sujeitos a súbitas surpresas.

Além disso, a medicina tem desenvolvido tecnologias de diagnóstico e tratamento que representam custos bastante altos para os hospitais. Por isso, uma gestão eficiente é essencial, e a tecnologia também pode ser uma aliada nesse sentido.

Indicadores hospitalares

Os indicadores hospitalares nada mais são do que números traduzidos em informação. Tais índices servem para a avaliação de desempenho do seu hospital.  Com a padronização de indicadores hospitalares adequados, você avança em melhoria contínua.  É basicamente uma receita:

Índices concretos + Estratégia + Postura assertiva = Resultados.

Se o seu hospital ainda não tem uma forte cultura nesse sentido, é hora de revisar processos.

Infelizmente, ainda impera no setor hospitalar processos conservadores em gestão, o que é um erro, haja vista que, na atualidade, a ideia de crescimento linear e hierarquias definidas não funcionam mais como antes.

Descentralização de algumas demandas e treinamento da equipe são algumas das características essenciais para modernizar seus processos e, portanto, se destacar no mercado.

Os hospitais possuem uma série de organogramas, equipes multidisciplinares e fluxos contínuos de pacientes. Ou seja, o gestor precisa estar atento a toda essa amplitude.

Portanto, para além das auditorias, que se valem de instrumentos para diagnosticar o quadro financeiro do hospital, é aconselhável que as rotinas administrativas sejam guiadas pela qualidade total – a Total Quality Management (TQM).

Esse modelo de gestão presume consciência da qualidade em todos os âmbitos do negócio, o que se encaixa perfeitamente à realidade de gestão hospitalar.

Nesse contexto, os indicadores de desempenho não necessariamente estão atrelados à TQM. Mas o inverso, sim. Em TQM, os indicadores servem para avaliar os processos, de modo que se atinja os objetivos previamente definidos.

Histórico de Indicadores hospitalares

Medir a qualidade dos serviços prestados por instituições de saúde é uma estratégia que teve início em 1924 com o Programa de Padronização Hospitalar (PPH), proposto pelo American College of Surgeons (Colégio Americano de Cirurgiões) que propunha padrões de atendimentos médicos para garantir a qualidade na prestação de serviço de saúde.

Em um estudo publicado na Revista Acta Paulista de Enfermagem as especialistas em saúde Liliane Bauer Feldman; Maria Alice Fortes Gatto e Isabel Cristina Kowal Olm Cunha, analisam a evolução da qualidade hospitalar considerando os padrões de atendimento e as acreditações hospitalares.

Indicadores hospitalares no Brasil

Recentemente a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou as fichas dos indicadores gerais de qualidade hospitalar, como parte do painel proposto pelo Consórcio de Indicadores de Qualidade Hospitalar.

Estes indicadores têm como objetivo a avaliação do desempenho das instituições hospitalares privadas com base na assistência prestada por essas instituições.

Logo depois, o comitê gestor da ANS classificou em 3 domínios de qualidade a seleção dos indicadores hospitalares: Efetividade; Eficiência e Segurança gerando 14 indicadores gerais ligados ao atendimento hospitalar:

Proporção de partos normais

Classificado como domínio de Efetividade este indicador avalia a taxa de partos normais com relação a todos os partos realizados nos hospitais.

Na ficha proposta pela ANS tem uma meta a ser cumprida de maior ou igual a 55%

Proporção de reinternações em até 30 dias da saída hospitalar

Consiste em manter a taxa de reinternação de pacientes nas unidades de saúde em um período de até 30 dias em menor ou igual a 20% em relação a todas a internações.

Taxa de parada cardiorrespiratória em unidade de internação

Para medir a efetividade de atendimentos este indicador classifica que a cada 1000 pacientes atendidos ao dia tenha 0 casos de perdas por paradas cardiorrespiratórias.

Taxa de mortalidade institucional

Este indicador considera a taxa de mortalidade nas primeiras 24 horas de internação nas unidades de saúde, e a meta proposta é que este número seja menor que 3% dos casos totais de internação.

Além disso, o documento da ANS ainda conta com mais 10 indicadores totalizando os 14 indicadores propostos, são eles:

  • Tempo médio de internação;
  • Média de permanência na emergência;
  • Tempo médio de espera na emergência para primeiro atendimento;
  • Taxa de início de antibiótico intravenoso profilático;
  • Infecção de sítio cirúrgico;
  • Taxa de infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central;
  • Infecção do trato urinário associada a cateter vesical de demora;
  • Taxa de profilaxia de tromboembolismo venoso;
  • Incidência de quedas com dano;
  • Evento sentinela.

Para consultar na íntegra o painel geral das fichas técnicas dos indicadores publicados pela ANS basta clicar aqui.

Para que servem os indicadores hospitalares?

Do mesmo modo que para qualquer empresa, seja qual for seu ramo de atuação, são necessários dados estatísticos de mercado para nortear as decisões do setor administrativo.

Em um hospital não seria diferente. É de extrema importância acompanhar os números produzidos por uma instituição e compará-los com os demais hospitais, tendo os índices indicados pelos órgãos reguladores como base para análise.

Ou seja, você precisa saber o que seu hospital tem feito, comparar com os outros hospitais e verificar se ambos estão de acordo com as projeções dos órgãos regulamentadores, como por exemplo a ANS.

KPI e os indicadores hospitalares

Analisar KPI – Key Performance Indicator (Indicador-chave de Performance), consiste em analisar um conjunto de ações e práticas e mensurá-las através de dados, sejam percentuais ou números.

Por exemplo um hospital pode analisar KPIs acompanhando:

  • A efetividade dos atendimentos através do retorno de pacientes;
  • Grau de satisfação dos pacientes no tempo de espera de atendimento usando a emissão de senhas;
  • Assertividade de preenchimento de prontuários analisando os itens glosados na categoria de glosa técnica;
  • Medir a relevância de uma especialidade médica para a instituição através das consultas realizadas (isso ajuda a saber em qual departamento investir).

Vale Ressaltar que as estratégias pautadas em KPI irão entregar resultados gerais, como os mencionados acima, que facilitam a gestão macro.

Da mesma forma, para acompanhar as ações de cada departamento é recomendado a utilização de outra estratégia de mensuração de resultados a OKR – Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados-Chave), que visualiza os resultados micro de cada profissional ou departamento.

E você pode compreender melhor sobre a diferença entre KPI e OKR clicando aqui.

Na prática

Neste artigo sobre Faturamento Hospitalar já falamos sobre algum deles. Agora vamos resgatá-los e inserir outros principais indicadores hospitalares.

Além disso, você aprofundar esse tema tomando como exemplo o Mapa Estratégico da Anvisa, que reúne mais de 150 indicadores hospitalares estratégicos.

Faturamento:

Tem a ver com o faturamento total do hospital. É feito com base na soma de tudo o que a instituição faturou em determinado período. Com esse indicador você tem um panorama financeiro geral em sua auditoria.

Rentabilidade (ROI)

Serve para mensurar o retorno sobre investimento (ROI). Ou seja, com ele você avalia o nível de eficiência da sua gestão. Você pode calcular tanto o ROI geral do hospital, quanto o ROI de determinados departamentos, médico ou convênio, por exemplo.

Retorno sobre Patrimônio líquido

Mede o índice de rentabilidade de sua instituição. Confira a fórmula:

ROE = Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido

EBITDA

Mensura o faturamento do hospital a partir de suas atividades operacionais, somente. Não entram nessa conta os impostos ou outros fatores externos.

Taxa de ocupação

Avalia qual o perfil de ocupação dos leitos do hospital, bem como o tempo de permanência, tempo de vacância, intervalo de substituição, manutenção e e.t.c. Em suma, é composto por esses “subindicadores”.

Glosas

Mede o índice de glosas de seu faturamento. Também é possível medir  a quantidade de recursos e o índice de glosas recuperadas.

Satisfação do cliente  

Esta é mais subjetiva. Mas, em tempo de concorrência acirrada, é fundamental entender o nível de satisfação dos clientes e quais os gargalos no atendimento que podem ser melhorados.

Para isso, você pode aplicar o Net Promoter Score (NPS), por exemplo, um método de avaliação de satisfação do cliente aplicado a qualquer ramo.

O NPS é baseado em uma única pergunta:

“Em uma escala de 0 a 10, o quanto você indicaria nossa empresa para um amigo?”

O resultado é calculado com base nesta fórmula :

Net Promoter Score = % CLIENTES PROMOTORES – % CLIENTES DETRATORES.

Indicadores na Gestão Hospitalar

Anteriormente citados os indicadores hospitalares relacionados à atendimento de pacientes, porém pensando na saúde da administração hospitalar existem também os indicadores administrativos, que podem ser:

Rentabilidade

Consiste em mensurar os lucros com base nos valores faturados durante um determinado período para avaliar se a instituição obteve lucros satisfatórios.

Este resultado pode ser obtido após o cálculo do ROI (Return on Investment) e ser segmentado por especialidades e período, considerando parceiros e convênios, isso será avaliado de acordo com a necessidade da instituição em obter estes resultados.

Ocupação de leitos

Apontando a rotatividade, tempo de ocupação e de disponibilidade dos leitos de um hospital, com este indicador é possível definir estratégias para ocupação desses leitos.

Além disso a ocupação de leitos também faz parte dos critérios de avaliação para obtenção de certificação e acreditação hospitalares. Saiba mais sobre acreditações hospitalares neste conteúdo exclusivo em nosso blog.

Convênios parceiros

Neste indicador é possível realizar o levantamento dos principais convênios parceiros de uma instituição e classificá-los de acordo com: o tempo de retorno de pedidos, itens com maior índice de glosas, adesão de pacientes aos convênios entre outros índices.

Faturamento Represado

As demandas no faturamento de um hospital são crescentes e podem parecer assustadoras, principalmente quando lidamos com elas sem uma boa gestão do tempo. Logo, o resultado não pode ser outro se não, o acúmulo de tarefas.

Este é o pior cenário para uma instituição, afinal de contas faturamento atrasado representa dinheiro parado.

Mas um faturamento não fica com status “represado” somente quando deixa de ser realizado, há casos de pendências nos recursos de glosas, atrasos no envio ou simplesmente erros na transmissão.

Cumprimento de prazos

Todo bom gestor de contas hospitalares sabe que ser fiel aos prazos pré-estabelecidos, principalmente pelas grandes operadoras de saúde, é essencial para garantir bons resultados ao fim de um faturamento.

Sobretudo o cumprimento do prazo para o envio de lotes faturados e envios de recursos, pois são o cumprimento desses prazos que podem garantir o recebimento dos valores cobrados/contestados. 

Previsibilidade de Receita versus Entrada de caixa

“Trabalhar no escuro” é apenas um dos fantasmas que assombram as equipes de faturamento que não possuem previsibilidade de receita, afinal de contas, não é possível inventar números e tirar resultados do nada. É preciso saber onde está pisando.

Os comparativos entre Valores Faturados X Pagamentos Previstos X Entrada de Caixa podem trazer uma boa visão de como anda seu faturamento, porém esta é apenas a ponta do iceberg, é preciso ir a fundo para identificar as etapas que necessitam de atenção.

Emissão de relatórios assertivos

Como mencionado anteriormente, analisar apenas três indicadores (Valores Faturados, Pagamentos Previstos e Entrada de Caixa) de um processo incompleto é o início, mas s não te trará segurança necessária para investir em melhorias e tampouco servirá como base para tomada de decisões.

O investimento em mão de obra para emissão de relatórios ou tecnologias, como por exemplo Power BI, são uma opção mas até que ponto elas podem ser relevantes? Ou serão apenas números sob sua mesa aos quais você não saberá ao certo o que fazer?

A virada de chave na gestão de contas hospitalares

Neste cenário então o ideal é encontrar uma solução completa ou o mais próximo possível capaz de entregar dados que auxiliem na obtenção de resultados.

Assim ela servirá de apoio aos departamentos de gestão de contas hospitalares, entenda:

Importância dos indicadores hospitalares

Contudo como já mencionamos aqui, os indicadores hospitalares são totalmente relevantes para a tomada de decisões de uma instituição de saúde, eles precisam fazer parte da rotina de atendimento e administrativa de um hospital.

Agora para que fique ainda mais claro para você, veja algumas das principais importâncias dos indicadores hospitalares quando bem alinhados:

  • Facilita a gestão hospitalar;
  • Ajuda a identificar falhas nos processos internos;
  • Determina áreas de investimento;
  • Identifica departamentos que necessitam de contenção de gastos;
  • Ajuda a desenvolver processos estratégicos;
  • Ajuda a atender as regras e determinações dos órgãos reguladores;
  • Eleva a instituição a outro patamar através do reconhecimento com Certificações e Acreditações hospitalares;
  • Eleva o nível de serviço prestado e aumenta a competitividade de mercado;
  • Aumenta o retorno financeiro sob os valores investidos;
  • Traz transparência na administração e atendimento hospitalar.

Por fim; viu só como é importante manter em dia os indicadores hospitalares, e principalmente o retorno que se obtém em aderir boas práticas de gestão.

Isso tudo vai além de receber um feedback do trabalho que sua instituição desenvolve. Demonstra o comprometimento com os resultados e o aumento na qualidade dos serviços prestados.

Acompanhe a produtividade do seu time

Nossas soluções podem te auxiliar em diversas etapas do seu processo hospitalar, sejam nas métricas individuais como elegibilidade de pacientes, até nas funções mais complexas como a identificação de erros dos lotes faturados antes mesmo da transmissão.

Além das questões pertinentes a gestão de equipes, pois através da emissão de relatórios é possível identificar: 

  • Previsão de receita; 
  • Índices de apontamento de glosas; 
  • Produtividade entre outros indicadores. 

Essa informações podem e vão  contribuir para o desenvolvimento do seu time aumentando a produtividade.

Agora que você já sabe o que são indicadores hospitalares, o seu impacto na gestão hospitalar que tal começar a colocar em prática hoje mesmo?

Te sugerimos começar por um setor delicado, mas que reflete bastante no crescimento das instituições, o faturamento hospitalar.

Separamos um conteúdo onde você aprenderá mais sobre o índice IPCA e como você pode otimizar seu faturamento dominando este tema, leia agora!

Vamos fazer uma pesquisa rápida?

Deixe aqui nos comentários quais indicadores sua instituição domina, e quais vocês ainda estão desenvolvendo estratégias para dominá-los!

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