A Tabela Simpro é um dos referenciais de precificação mais utilizados no faturamento hospitalar brasileiro. Ela define os códigos e os preços de materiais, medicamentos e procedimentos hospitalares que são usados nas guias de faturamento enviadas às operadoras de saúde.
Conhecer a Simpro, saber como ela funciona e manter o sistema de faturamento atualizado com cada nova edição é uma das responsabilidades técnicas fundamentais do faturista hospitalar.
O que é a Tabela Simpro
A Simpro é uma publicação especializada em saúde suplementar, editada bimestralmente, que reúne informações de materiais, medicamentos e procedimentos hospitalares com seus respectivos códigos e preços de referência.
O que a torna relevante para o faturamento não é o conteúdo editorial da revista, mas a tabela que ela publica. Essa tabela é amplamente adotada pelo mercado de saúde suplementar como referencial de precificação em contratos entre prestadores e operadoras.
Como definiu Agnaldo Neto, Diretor Jurídico da Associação dos Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), a Tabela Simpro é um balizador para a saúde suplementar. Ela determina dois elementos essenciais para o faturamento:
Valor: apresenta a precificação de referência de cada material, norteando as negociações entre operadores e prestadores de saúde
Código: padroniza a identificação de cada produto no ato do faturamento, facilitando a comunicação entre operadores, prestadores e fornecedores
Como a Tabela Simpro é construída
O processo de inclusão de um item na Tabela Simpro segue uma lógica específica:
- Um laboratório ou fabricante desenvolve um material ou medicamento
- Em parceria com a Simpro, o fabricante determina o código de referência e o preço médio do item
- Esses dados são inseridos na Tabela Simpro
- A tabela é publicada bimestralmente nos canais da Simpro
- Os departamentos de faturamento dos hospitais atualizam essas informações nos sistemas
- A partir daí, todos os faturamentos que incluem esse item usam o código e o valor publicados
Quando há alterações de versão, composição ou preço de um item, a Simpro publica uma atualização com o novo código. O sistema de faturamento precisa ser atualizado para refletir essa mudança, sob pena de usar código desatualizado e gerar glosa técnica.
Simpro, TUSS e TISS: como os três se relacionam
Esses três termos aparecem juntos no contexto do faturamento e têm funções distintas:
| O que é | Para que serve | |
|---|---|---|
| Tabela Simpro | Referencial de códigos e valores de materiais e medicamentos | Base de precificação nas guias de faturamento |
| TUSS | Terminologia Unificada da Saúde Suplementar | Padroniza as nomenclaturas e códigos de todos os itens faturáveis |
| TISS | Troca de Informação em Saúde Suplementar | Formato obrigatório de comunicação entre prestadores e operadoras |
Na prática: a guia de faturamento usa o código TUSS do item (que pode coincidir com o código Simpro para materiais e medicamentos), os valores de referência da Simpro e é transmitida no padrão TISS. Os três elementos precisam estar alinhados para que a guia seja aceita pela operadora sem rejeição técnica.
Como a Tabela Simpro é aplicada no faturamento hospitalar
Veja o fluxo completo de um faturamento que usa a Simpro como referência:
1. Atendimento e documentação clínica: Todos os procedimentos, materiais e medicamentos utilizados durante o atendimento são registrados no prontuário do paciente.
2. Consulta na Tabela Simpro: O faturista consulta a Tabela Simpro para identificar o código de referência de cada material e medicamento utilizado. A tabela está disponível em formato digital, inclusive em formatos como XML e CSV que permitem importação direta para o sistema de faturamento.
3. Geração da guia de faturamento: Cada item é incluído na guia com o código TUSS correspondente e o valor publicado na Simpro. Contratos que usam a Simpro como base geralmente definem um percentual sobre o valor publicado, 100% da Simpro, 95% da Simpro, conforme negociado.
4. Inclusão em lote e envio: A guia é incluída em um lote de faturamento e transmitida à operadora no padrão TISS.
As valorizações da tabela podem impactar significativamente o valor final da guia. Fatores como tempo de execução do procedimento, período de internação e participação proporcional de profissionais envolvidos podem alterar o valor faturado em até 70%. Esses cálculos precisam ser feitos com critério e atenção.
Como consultar e acessar a Tabela Simpro
A Simpro está disponível em quatro formatos principais:
Revista Simpro Hospitalar impressa: Edições bimestrais com a tabela completa atualizada.
Revista Simpro Hospitalar Virtual: Versão digital da revista impressa, disponível na plataforma online da Simpro.
Portal TUSS: Sistema descritivo de materiais, medicamentos e procedimentos, complementar à tabela.
Suporte Simpro: Canal de apoio a parceiros, assinantes e fornecedores para dúvidas sobre a tabela.
Para hospitais que usam a Simpro no faturamento, a forma mais eficiente é ter um sistema de faturamento com integração nativa para importar as atualizações bimestrais automaticamente, eliminando a digitação manual e o risco de usar versão desatualizada.
O histórico das tabelas de precificação hospitalar
Entender de onde veio a Simpro ajuda a compreender por que ela é usada e quais são as alternativas. A precificação hospitalar passou por várias tabelas ao longo das décadas:
- 1964: Primeira tabela de códigos e procedimentos, com 2.040 códigos revisados periodicamente
- 1990: Tabela AMB-90 (Associação Médica Brasileira), no contexto do Plano Collor
- 1992: AMB-92, atualização da anterior, revogada em 2003
- 1993: Tabela Ciefas (Comitê de Integração de Entidades Fechadas de Assistência à Saúde)
- 1996: Lista de Procedimentos Médicos (LPM-96), extinta em 2004
- 2003: CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), ainda amplamente utilizada hoje, especialmente para honorários médicos
A Simpro surgiu nesse contexto como referencial específico para materiais e medicamentos, preenchendo uma lacuna que as tabelas de procedimentos não cobriam com a mesma profundidade.
Tabelas próprias das operadoras: quando e por que acontecem
Nos últimos anos, ficou mais comum operadoras adotarem tabelas próprias em contratos com prestadores, em vez de referenciar diretamente a Simpro.
Por que isso acontece? Alguns fabricantes e laboratórios deixaram de enviar atualizações regulares para as tabelas tradicionais. Quando itens relevantes não estão na tabela, o faturamento perde padronização, o que pode gerar mais glosas.
Para resolver isso, operadoras e prestadores negociam tabelas próprias que definem preços para os itens mais frequentes no perfil de atendimento daquele hospital. Esses valores geralmente se aproximam dos praticados na Simpro, mas com a vantagem de maior previsibilidade e menos dependência de atualizações externas.
Para OPME especificamente, tabelas próprias ou precificação por nota fiscal são ainda mais comuns, dado que esses itens têm variação de preço significativa e pouca uniformidade nas tabelas tradicionais.
A renovação contratual é o momento mais adequado para discutir e formalizar a tabela de referência que será usada no período seguinte.
Simpro x Brasíndice: qual a diferença?
A Simpro e a Brasíndice são frequentemente confundidas, mas têm escopos diferentes:
Tabela Simpro Cobre materiais, medicamentos e procedimentos hospitalares. É bimestral. Serve como referencial para contratos entre operadoras e prestadores de saúde.
Tabela Brasíndice Foco específico em medicamentos. É quinzenal, o que garante atualização mais frequente de preços. Define o PF (Preço do Fabricante), que é o valor correto para faturamento hospitalar, e o PMC (Preço Máximo ao Consumidor), que é exclusivo para comércio varejista.
Um ponto crítico: usar o PMC da Brasíndice em vez do PF no faturamento hospitalar é contrário à legislação vigente (Comunicado CMED 10/2010). O PMC é o teto de preço para farmácias, não para hospitais. Hospitais que faturam com PMC estão gerando receita acima do que a operadora deve pagar, o que resulta em glosa ou em questionamento legal.
Para aprofundar a diferença entre Brasíndice e CMED, consulte o blog específico sobre o tema disponível aqui no site.
Checklist: seu uso da Tabela Simpro está atualizado?
- As valorizações de tempo e participação proporcional estão sendo calculadas corretamente?
- O sistema de faturamento está com a versão mais recente da Tabela Simpro (edição bimestral atual)?
- Há processo definido para atualizar o sistema a cada nova edição da Simpro?
- Os contratos com operadoras especificam claramente se a Simpro é a tabela de referência e qual o percentual aplicado?
- A equipe de faturamento sabe diferenciar quando usar Simpro, Brasíndice ou tabela própria da operadora?
- Itens que não estão na Simpro têm processo definido de precificação para guias?
Perguntas frequentes sobre a Tabela Simpro
A Tabela Simpro é obrigatória? Não. Ela é um referencial amplamente adotado pelo mercado, mas não é imposta por lei ou pela ANS. O que define qual tabela usar é o contrato com cada operadora. Algumas operadoras usam Simpro, outras Brasíndice, outras tabelas próprias. O faturista precisa conhecer o referencial de cada contrato.
Com que frequência a Simpro é atualizada? Bimestralmente. Cada edição pode trazer novos itens, alterações de código ou revisões de preço. Sistemas de faturamento com integração nativa para a Simpro facilitam a atualização automática.
O que acontece se o faturamento usar versão desatualizada da Simpro? Depende do tipo de divergência. Se o código foi alterado e o faturamento ainda usa o código antigo, a guia pode ser glosada por código incorreto. Se o preço mudou e o sistema não foi atualizado, a guia pode ser glosada por divergência de valor. Ambos são erros evitáveis com atualização regular do sistema.
Como saber qual percentual sobre a Simpro meu contrato usa? Essa informação está nas cláusulas do contrato de prestação de serviços com cada operadora. Se não estiver claro, solicite esclarecimento formal à operadora antes do próximo ciclo de faturamento.
Resumo rápido
A Tabela Simpro é o referencial bimestral de códigos e valores de materiais, medicamentos e procedimentos hospitalares mais usado no faturamento de saúde suplementar no Brasil. Ela define o código de identificação de cada item e o valor de referência para cobrança às operadoras.
Manter o sistema de faturamento atualizado com cada edição, conhecer o percentual sobre Simpro definido em cada contrato e saber quando a operadora usa tabela própria em vez da Simpro são as responsabilidades práticas do faturista no uso diário dessa ferramenta.
Para medicamentos especificamente, a Brasíndice é o complemento da Simpro com atualização quinzenal, e a distinção entre PF e PMC precisa ser dominada para evitar glosas e problemas legais.
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Muito Bom artigo!
ótimo artigo, parabéns!!
Parabéns pelo artigo! Muito esclarecedor.
Olá bom dia! é uma ferramenta muita boa.
EXCELENTE CONTEÚDO. PARABÉNS AOS SEUS IDEALIZADORES!!!