Como funciona a Tabela Simpro? Entenda do início ao fim

A Tabela Simpro funciona como um catálogo de referência: ela reúne códigos e preços de medicamentos, materiais e procedimentos hospitalares, e serve de base para o faturamento e as negociações entre hospitais e operadoras de saúde.

Mas aqui entra um ponto importante: entender como ela funciona vai além de saber que ela existe. É preciso compreender como um item entra na tabela, como ela chega ao faturamento e o que acontece quando a operadora não a usa como referência.

Como um item entra na Tabela Simpro?

O processo começa no laboratório ou fornecedor e termina no sistema de faturamento do hospital. Veja o fluxo completo:

1. Desenvolvimento do produto: Um laboratório desenvolve um medicamento ou material hospitalar.

2. Parceria com a Simpro: O laboratório envia as informações do produto à Simpro, descrição técnica, composição, apresentação e preço médio.

3. Definição de código e valor: Em conjunto, laboratório e Simpro determinam o código de referência e o preço do item. Esse código segue o padrão TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar).

4. Publicação na tabela: O item é incluído na Tabela Simpro e publicado na próxima edição da revista, bimestral na versão impressa, com atualizações pontuais na versão digital.

5. Atualização nos sistemas hospitalares: Os departamentos de faturamento dos hospitais importam a nova versão da tabela para seus sistemas, via arquivo xlsx, csv ou xml.

6. Uso no faturamento: A partir daí, toda vez que esse item aparece em um atendimento, ele é registrado na Guia de Faturamento com o código TUSS correspondente e o valor publicado na tabela.

7. Comunicação padronizada com a operadora: O lote de faturamento é enviado à operadora com os códigos e valores da Simpro. A padronização facilita a auditoria e reduz o risco de glosa.

8. Atualização em caso de mudança: Se o produto muda, composição, apresentação, preço, a Simpro publica uma atualização com novo código. O hospital precisa importar essa atualização para manter o faturamento correto.

O que é o TUSS e por que ele importa?

O TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é o padrão de nomenclatura e codificação adotado pelo mercado de saúde suplementar. A Simpro segue esse padrão, ou seja, cada item da tabela tem um código TUSS.

Por exemplo, ao faturar uma ampola de determinado medicamento, o faturista não descreve o produto em texto livre. Ele usa o código TUSS correspondente. A operadora recebe esse código e sabe exatamente o que foi administrado, sem ambiguidade.

Isso é o que garante a comunicação padronizada entre prestadores e operadoras. Sem o TUSS correto, a guia pode ser recusada.

E quando o contrato não usa a Simpro como referência?

Esse é um cenário cada vez mais comum. Algumas operadoras de saúde criam tabelas próprias para faturamento hospitalar, e isso é previsto em contrato.

Por que isso acontece? Alguns fornecedores deixaram de enviar atualizações para as tabelas tradicionais. Sem esses dados, os valores publicados ficam defasados, e o faturamento perde o padrão. Para evitar esse problema, operadoras e hospitais passaram a negociar tabelas próprias, com valores acordados diretamente entre as partes.

Mas aqui entra um ponto importante: mesmo nesses casos, os valores das tabelas próprias costumam ser baseados nas tabelas tradicionais, como a Simpro e a Brasíndice, como ponto de partida para a negociação.

Tabelas contratuais próprias: o que muda na prática?

Quando a operadora tem tabela própria, o faturista precisa trabalhar com dois referenciais ao mesmo tempo:

SituaçãoO que usar
Contrato referencia a SimproUsar código e valor da Simpro vigente
Contrato tem tabela própria da operadoraUsar os valores definidos em contrato
Item não está na tabela contratualVerificar contrato — pode usar nota fiscal como base
OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais)Geralmente calculado pontualmente por nota fiscal

Por isso, conhecer o contrato com cada operadora é tão importante quanto conhecer a tabela. O faturamento correto depende dos dois.

O que são as OPME e por que têm regra diferente?

OPME significa Órteses, Próteses e Materiais Especiais. São itens de alto valor e uso específico, como próteses ortopédicas, stents, marca-passos e similares.

Por terem preços muito variáveis e serem fornecidos por fabricantes específicos, as OPME raramente seguem tabelas fixas. Na maioria dos contratos, o valor cobrado é baseado na nota fiscal do produto, e precisa de autorização prévia da operadora.

Além disso, é importante saber: o faturamento incorreto de OPME é uma das principais causas de glosa de alto valor. Por isso, esse grupo de itens exige atenção redobrada no processo de faturamento.

Quando renegociar a tabela com a operadora?

A renovação contratual é o momento certo para revisar as tabelas usadas no faturamento. É nessa hora que o hospital pode:

  • Substituir tabelas defasadas por referenciais mais atualizados
  • Negociar percentuais maiores sobre a Simpro ou outra tabela base
  • Incluir OPME com regras claras de precificação
  • Definir como tratar itens que não constam em nenhuma tabela

Por exemplo, um hospital que renova o contrato sem revisar a tabela de referência pode estar mantendo percentuais abaixo do mercado por mais um ciclo contratual, sem perceber.

Checklist: seu faturamento com a Simpro está correto?

  • Os itens faturados estão com o código TUSS correto?
  • A versão da Simpro usada no sistema está atualizada?
  • Sei qual tabela está definida em cada contrato com operadoras?
  • Os itens de OPME têm nota fiscal e autorização prévia registradas?
  • Itens que saíram da tabela Simpro têm tratamento definido em contrato?
  • A renovação contratual inclui revisão das tabelas de referência?

Perguntas frequentes sobre o funcionamento da Simpro

O que acontece quando um item sai da Simpro? Se um fornecedor deixa de enviar atualizações, o item pode ficar desatualizado ou ser removido da tabela. Nesse caso, o contrato precisa prever como esse item será faturado, pela nota fiscal, por tabela própria da operadora ou por outro referencial acordado.

A Simpro cobre todos os medicamentos e materiais hospitalares? Não necessariamente. A tabela reúne os itens de laboratórios parceiros. Itens de fornecedores que não têm parceria com a Simpro podem não constar na tabela, e precisam de tratamento específico no contrato.

Com que frequência devo atualizar a Simpro no meu sistema? A cada nova publicação. A revista é bimestral, mas atualizações pontuais podem ocorrer fora do ciclo. O ideal é ter um processo interno de verificação e atualização sempre que uma nova versão for lançada.

Posso usar a Simpro como base mesmo se o contrato não a cita? Não. O faturamento precisa seguir o que está definido em contrato. Se o contrato não cita a Simpro, usar seus valores pode gerar inconsistência contratual e glosa.

Resumo rápido

A Tabela Simpro funciona como um catálogo padronizado de códigos e preços, construído em parceria com laboratórios e publicado periodicamente. Ela entra no faturamento como referência de valor e como base de codificação TUSS.

Mas o mercado evoluiu: operadoras com tabelas próprias, itens sem cobertura na Simpro e OPME com regras específicas tornaram o faturamento mais complexo. Dominar a Simpro é o ponto de partida, mas entender o contrato com cada operadora é o que garante o faturamento correto.

O próximo passo é saber como consultar a Simpro na prática e como identificar quando os valores do seu contrato estão abaixo do mercado.

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