O faturamento hospitalar é o setor responsável por registrar, organizar e cobrar todos os atendimentos realizados em um hospital, clínica ou laboratório. Em outras palavras, é ele que transforma cada consulta, exame ou cirurgia em receita para a instituição.

Mas aqui entra um ponto importante: faturar não é só emitir boleto. É garantir que cada procedimento esteja corretamente documentado, codificado e enviado ao convênio ou paciente, dentro do prazo e sem erros.

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Como funciona o faturamento hospitalar na prática?

O processo começa no momento do atendimento e termina quando o pagamento é confirmado. Veja o fluxo básico:

  1. Registro do atendimento: O paciente é atendido e todos os procedimentos são anotados, medicamentos, exames, cirurgias, diárias de internação.
  2. Codificação: Cada procedimento recebe um código específico (TUSS, CBHPM ou SIGTAP, dependendo do convênio ou SUS). Erros aqui geram glosas, ou seja, o convênio recusa o pagamento.
  3. Auditoria interna: Antes de enviar a conta, o setor revisa tudo. O objetivo é identificar inconsistências antes que o convênio as encontre.
  4. Envio da cobrança: A conta é enviada ao pagador (convênio, paciente particular ou SUS) com toda a documentação exigida.
  5. Gestão de glosas: Se o convênio recusar algum item, o time de faturamento entra com recurso. Essa etapa pode recuperar entre 10% e 30% da receita glosada, segundo dados do setor.

Quais documentos o faturamento hospitalar emite?

O setor é responsável por gerar e controlar:

  • Notas fiscais de serviços
  • Guias de faturamento (TISS, para convênios)
  • Boletos e duplicatas
  • Relatórios de produção
  • Recursos de glosa

Em um artigo compartilhado pela a instituição de ensino em saúde HM Doctors, o Supervisor de Faturamento, Abner Neves, menciona a importância do faturamento hospitalar:

“O faturamento hospitalar não pode ser tratado apenas como um setor de contas a receber, visto que, apenas cobrar, não garante o pagamento. O pagamento fica condicionado a vários outros agentes presentes no circuito do atendimento. Então, como definir o papel de um setor tão importante?”

Como o setor é organizado?

Em hospitais de médio e grande porte, o faturamento é dividido em subáreas:

Área Função principal
Pré-faturamento Verificar elegibilidade e autorização antes do atendimento
Faturamento Codificar e emitir as contas
Revisão de Glosas Contestar cobranças recusadas pelos convênios
Contas a Receber Controlar pagamentos e inadimplência
Financeiro Consolidar receitas e relatórios

Quais são os principais desafios do setor?

1. Volume de informações Um hospital de médio porte pode processar milhares de guias por mês. Fazer isso manualmente aumenta muito o risco de erro.

2. Mudanças constantes nas tabelas Convênios atualizam regras, tabelas e exigências com frequência. O time precisa estar sempre atualizado.

3. Prazo de envio Cada convênio tem um prazo para receber as cobranças. Perder esse prazo significa perder o pagamento.

4. Gestão de glosas Contestar glosas exige tempo, documentação e conhecimento técnico. Muitas instituições deixam dinheiro na mesa por não terem processo estruturado para isso.

Checklist: seu faturamento hospitalar está funcionando bem?

Use esta lista para fazer um diagnóstico rápido:

  • Os procedimentos são codificados corretamente na alta do paciente?
  • Existe auditoria interna antes do envio das guias?
  • As glosas são contestadas sistematicamente?
  • O prazo de envio é cumprido para todos os convênios?
  • Há relatórios mensais de taxa de glosa por convênio?
  • A equipe passa por treinamentos periódicos sobre tabelas e regras?

Se você marcou menos de 4 itens, o setor tem espaço relevante para melhorar.

Perguntas frequentes sobre faturamento hospitalar

O faturamento hospitalar é diferente do financeiro? Sim. O faturamento gera e envia as cobranças. O financeiro controla o que entrou e o que está em aberto. São áreas complementares, mas com funções distintas.

O que é glosa hospitalar? É quando o convênio recusa o pagamento de um item da conta. Pode acontecer por erro de codificação, falta de documentação ou descumprimento de regras do contrato.

Qual é a diferença entre faturamento SUS e faturamento de convênio? No SUS, os procedimentos seguem a tabela SIGTAP e o sistema de produção é enviado pelo SISAIH. Nos convênios, o padrão é o TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar), com regras específicas de cada operadora.

Preciso de software para fazer faturamento hospitalar? Para volumes pequenos, planilhas podem funcionar. Mas a partir de um certo porte, um sistema de gestão hospitalar reduz erros, automatiza envios e facilita a gestão de glosas.

Como a tecnologia melhora o faturamento hospitalar?

Os principais ganhos com sistemas especializados são:

  • Redução de erros de codificação com tabelas atualizadas automaticamente
  • Envio eletrônico de guias dentro do prazo
  • Dashboards de glosa por convênio e por tipo de procedimento
  • Alertas de prazo para não perder janelas de cobrança
  • Integração com prontuário eletrônico para capturar procedimentos automaticamente

Por exemplo, hospitais que adotam sistemas integrados relatam redução de 40% a 60% no tempo de fechamento mensal do faturamento.

Resumo rápido

O faturamento hospitalar é o elo entre o atendimento clínico e a receita da instituição. Ele envolve codificação, emissão de guias, auditoria, envio e gestão de glosas.

Fazer isso bem não é opcional, é o que garante a saúde financeira do hospital.

Se você quer aprofundar o tema, o próximo passo é entender como funciona a gestão de glosas e como estruturar um processo de contestação eficiente.

 

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