O que é a Tabela Brasíndice?O que é a Tabela Brasíndice? Guia prático para o faturamento hospitalarO que é a Tabela Brasíndice?

A Tabela Brasíndice é uma referência de preços de medicamentos amplamente usada em hospitais, clínicas e operadoras de saúde no Brasil. Ela define dois valores principais para cada medicamento: o Preço do Fabricante (PF) e o Preço Máximo ao Consumidor (PMC).

Mas aqui entra um ponto importante: ela não é uma tabela oficial do governo. É uma publicação privada e, mesmo assim, é aceita em grande parte dos contratos hospitalares do país.

De onde vem a Tabela Brasíndice?

A tabela é publicada pela Editora Andrei, empresa com mais de 45 anos de atuação no mercado editorial de saúde. Ela faz parte da Revista Brasíndice, que circula quinzenalmente e cobre temas como:

  • Legislação farmacêutica
  • Farmácia e medicina
  • Mercado farmacêutico
  • Artigos hospitalares e equipamentos
  • Glossário técnico

Além da revista impressa, os dados estão disponíveis no Portal Eletrônico Brasíndice, consultado por profissionais de faturamento em todo o Brasil

O que a tabela informa?

A Brasíndice traz dois preços fundamentais para quem trabalha com faturamento hospitalar:

SiglaNomePara que serve
PFPreço do FabricanteBase para negociação entre indústria farmacêutica e hospitais
PMCPreço Máximo ao ConsumidorTeto de preço para venda ao paciente

Por exemplo, quando um hospital negocia um contrato com uma operadora de saúde, o PF da Brasíndice costuma ser o ponto de partida da conversa. A operadora pode aceitar um percentual sobre esse valor, como 100% do PF ou 90% do PF, dependendo do contrato.

Brasíndice x CMED: qual é a diferença?

Muita gente confunde as duas. Veja a diferença de forma simples:

Brasíndice

  • Publicação privada (Editora Andrei)
  • Foco: negociação entre farmacêuticas, hospitais e operadoras
  • Atualização quinzenal
  • Não é oficial, mas amplamente aceita em contratos

CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos)

  • Regulação pública vinculada à Anvisa
  • Foco: teto de preço para venda em farmácias ao consumidor final
  • Atualização mensal
  • É oficial e tem força regulatória

Além disso, é importante saber: a CMED define o PMC com base em alíquotas de ICMS por estado. A Brasíndice não considera essas alíquotas. Por isso, no momento do faturamento, é necessário calcular o ICMS do estado onde o serviço foi prestado.

Como o ICMS afeta o faturamento?

Esse é um ponto que gera muita dúvida na prática. O valor publicado na Brasíndice não inclui o ICMS estadual. Cada estado tem uma alíquota diferente e isso impacta diretamente o valor final cobrado.

Por exemplo:

  • São Paulo: alíquota de ICMS para medicamentos pode variar entre 12% e 18%
  • Minas Gerais: segue tabela própria com isenções para alguns produtos

Por isso, o profissional de faturamento precisa aplicar a alíquota correta no momento de emitir a cobrança. Usar o valor da tabela sem esse ajuste pode gerar glosa ou inconsistência contratual.

Por que a Brasíndice é tão usada se não é oficial?

Boa pergunta. A resposta está na prática do mercado. Por ser atualizada com frequência, ter ampla circulação e cobrir um grande número de medicamentos, ela virou referência de facto para contratos hospitalares.

Além disso, operadoras de saúde e hospitais precisam de uma base comum para negociação. A Brasíndice cumpre esse papel, mesmo sem ter respaldo regulatório formal.

Checklist: como usar a Brasíndice corretamente no faturamento

  • Consultar a edição mais recente da tabela (atualização quinzenal)
  • Verificar se o contrato com a operadora referencia PF ou PMC
  • Aplicar a alíquota de ICMS do estado correto sobre o valor tabelado
  • Conferir se o medicamento está listado com o código correto
  • Cruzar com a tabela CMED quando o pagador for o SUS ou quando exigido em contrato

Perguntas frequentes sobre a Tabela Brasíndice

A Tabela Brasíndice é gratuita? O acesso completo ao portal eletrônico é pago. A Editora Andrei oferece planos de assinatura para profissionais e instituições. Algumas informações básicas podem ser consultadas gratuitamente no site.

Com que frequência a tabela é atualizada? Quinzenalmente. Isso é um diferencial importante, já que os preços de medicamentos mudam com frequência por variação cambial e reajustes da indústria.

Toda operadora aceita a Brasíndice como referência? Não necessariamente. Cada contrato define qual tabela será usada como base. Por isso, é fundamental verificar o contrato antes de faturar. Algumas operadoras usam a CMED, outras a Brasíndice, outras ainda têm tabelas próprias.

O que acontece se eu usar o valor errado no faturamento? O item pode ser glosado — ou seja, o pagamento é recusado. Em casos mais graves, pode gerar retrabalho, atraso no recebimento e até penalidades contratuais.

Resumo rápido

A Tabela Brasíndice é uma publicação privada, atualizada quinzenalmente, que define o PF e o PMC dos medicamentos comercializados no Brasil. Ela não é oficial, mas é amplamente aceita em contratos hospitalares.

Para usar corretamente no faturamento, você precisa saber qual valor o contrato de referência, aplicar o ICMS do estado e manter a tabela sempre atualizada.

O próximo passo é entender como a Brasíndice se relaciona com outras tabelas do setor, como a Simpro, e como escolher a referência certa para cada tipo de contrato.

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