A Tabela Simpro é um referencial de códigos e preços de medicamentos e materiais hospitalares. Ela é usada como base para negociações entre hospitais, clínicas e operadoras de saúde no Brasil.
Mas aqui entra uma dúvida comum: a Simpro ainda é relevante ou está em desuso? A resposta direta é: ela ainda é amplamente usada. A grande maioria dos contratos de saúde suplementar referência a Simpro como balizador de preços, e entender como ela funciona é essencial para quem trabalha com faturamento hospitalar.
De onde vem a Tabela Simpro?
A tabela é publicada pela Revista Simpro Hospitalar, uma publicação paulista voltada para a saúde suplementar. A revista circula bimestralmente e traz, além da tabela, notícias e atualizações do mercado.
O diferencial da Simpro em relação a outras publicações é justamente a tabela, que reúne códigos e preços de materiais e medicamentos de laboratórios parceiros. Por ser atualizada com regularidade e ter ampla circulação, ela se tornou o padrão de referência do setor.
Como disse Agnaldo Neto, Diretor Jurídico da Associação dos Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), em entrevista ao Canal GesSaúde:
“A Tabela Simpro é um balizador para a saúde suplementar. Ela determina o código — padronizando a identificação dos produtos no faturamento — e o valor — apresentando a precificação exata de cada material e norteando as negociações entre operadores e prestadores.”
O que a Tabela Simpro contém?
Cada linha da tabela traz informações sobre um item específico. Os dois elementos mais importantes são:
Código: Identifica cada produto de forma padronizada. Esse código é o que o faturista usa para registrar o item na Guia de Faturamento, seguindo a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS). Sem o código correto, a operadora pode recusar o pagamento.
Valor: Indica o preço de referência do item. Esse valor não é o preço final, é o ponto de partida para a negociação. Cada contrato define um percentual sobre o valor da Simpro. Por exemplo: 100% Simpro, 95% Simpro, e assim por diante.ue o faturista precisava converter o valor para realização dos faturamentos, neste caso, conversão para o real.
A Simpro está em desuso?
Não. Mas o mercado evoluiu, e com ele, surgiram outras tabelas complementares.
A Simpro continua sendo referência principal para materiais e medicamentos em grande parte dos contratos hospitalares. Por isso, conhecê-la bem ainda faz diferença no dia a dia do faturamento.
O que mudou é que hoje ela coexiste com outras tabelas, cada uma com um foco específico. Veja as principais:
| Tabela | Foco principal |
|---|---|
| Simpro | Materiais e medicamentos hospitalares |
| Brasíndice | Medicamentos, define PF (Preço do Fabricante) e PMC (Preço Máximo ao Consumidor) |
| CBHPM | Procedimentos médicos, ainda amplamente usada |
| Rol ANS | Procedimentos mínimos obrigatórios pelos planos de saúde |
| Tabelas próprias das operadoras | SulAmérica, Bradesco, CASSI e outras, cada uma com regras específicas |
Além disso, é importante saber: a tabela que vale para o seu faturamento é a que está definida no contrato com a operadora. Em muitos casos, o contrato referencia mais de uma tabela para itens diferentes.
A história das tabelas de precificação no Brasil
Para entender a Simpro, ajuda conhecer o contexto em que ela surgiu. As tabelas de precificação no Brasil têm uma história longa, e cada geração deixou marcas no sistema atual.
1964 — Criação da primeira tabela de códigos e procedimentos médicos, com 2.040 itens revisados periodicamente.
1990 — Lançamento da Tabela AMB-90 (Associação Médica Brasileira), desenvolvida durante o Plano Collor. Os valores eram expressos em CH (Coeficiente de Honorário), exigindo conversão para reais no faturamento.
1992 — AMB-92, atualização definitiva da AMB-90. Ficou em vigor até ser revogada em 2003.
1993 — Tabela Ciefas (Comitê de Integração de Entidades Fechadas de Assistência à Saúde), publicada já com precificação em moeda corrente.
1996 — LPM-96 (Lista de Procedimentos Médicos), extinta em 2004.
2003 — Lançamento da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), ainda amplamente usada hoje.
Por que isso importa? Porque muitos contratos antigos ainda referenciam tabelas anteriores, e o faturista precisa saber interpretar cada uma delas. Além disso, tabelas novas são frequentemente criadas com base nas anteriores, mantendo a mesma lógica de codificação.
Como a Simpro se conecta ao faturamento na prática?
O fluxo é direto. Veja como a tabela entra no processo:
- O paciente é atendido e os procedimentos, materiais e medicamentos são registrados no prontuário
- O faturista consulta a Simpro para identificar o código e o valor de referência de cada item
- Os itens são listados na Guia de Faturamento com o código TUSS correspondente
- O percentual contratual é aplicado sobre o valor da Simpro
- A guia é incluída no lote de faturamento e enviada à operadora no padrão TISS
Cada etapa depende de uma consulta correta à tabela. Um código errado ou um valor desatualizado pode resultar em glosa, e receita perdida para o hospital.
Checklist: você está usando a Simpro corretamente?
- Conheço a diferença entre Simpro, Brasíndice e CBHPM?
- Sei qual tabela está definida no contrato com cada operadora?
- Estou consultando sempre a versão mais atualizada da Simpro?
- Uso o código TUSS correto para cada item faturado?
- Aplico o percentual contratual correto sobre o valor da tabela?
- Sei como proceder quando um item não aparece na Simpro?
Perguntas frequentes sobre a Tabela Simpro
A Simpro é uma tabela oficial do governo? Não. É uma publicação privada da Editora Andrei. Mas sua ampla adoção pelo mercado a torna um padrão de facto para contratos hospitalares.
Qual a diferença entre Simpro e Brasíndice? As duas são referenciais privados de preços. A Simpro cobre materiais, medicamentos e procedimentos de forma ampla. A Brasíndice foca especificamente em medicamentos, definindo o PF e o PMC. Muitos contratos usam as duas de forma complementar.
O que é o TUSS e como ele se relaciona com a Simpro? O TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é o padrão de nomenclatura e codificação adotado pelo mercado. A Simpro segue esse padrão, ou seja, cada item da tabela tem um código TUSS correspondente que deve ser usado na guia de faturamento.
Como acessar a Tabela Simpro? Por assinatura da Revista Simpro Hospitalar, em versão impressa, online ou em arquivo digital (xlsx, csv, xml). Muitos sistemas de gestão hospitalar já integram a tabela automaticamente.
Resumo rápido
A Tabela Simpro é o principal referencial de códigos e preços de materiais e medicamentos para o faturamento hospitalar no Brasil. Ela não é oficial, mas é amplamente aceita em contratos de saúde suplementar.
Usá-la corretamente exige conhecer sua estrutura, manter a versão atualizada e saber aplicar o percentual contratual de cada operadora.
O próximo passo é entender como consultar a tabela na prática, e quais erros evitar para não perder receita por glosa.